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Polícia prende 160 pessoas em festa de milicianos no Rio


​​A Polícia Civil do Rio prendeu na madrugada deste sábado (7) 160 pessoas suspeitas de participarem de um grupo de milicianos em Santa Cruz, zona oeste do Rio. Eles estavam numa festa em um sítio no bairro. 

A comemoração foi organizada pela Liga da Justiça, um dos grupos mais famosos da região. Pelo menos quatro pessoas foram mortas durante a operação, que contou com policiais do Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Divisão de Homicídios e das Delegacias da região). 

Dois ônibus lotados de presos chegaram por volta das 9h na Cidade da Polícia, na zona norte. Foram apreendidos 25 fuzis e 20 pistolas na ação.

A estação do BRT Cesarão III, em Santa Cruz, foi incendiada por volta das 5h20 deste sábado. A polícia suspeita que milicianos tenham colocado fogo na estação para desviar a atuação dos policiais. 

Os milicianos disputam áreas e mantêm moradores sujeitos a leis próprias em troca de alegada segurança. Nos últimos anos, a estrutura dos grupos mudou. Policiais militares e civis, bombeiros e agentes penitenciários seguem dando as cartas, mas atuam nos bastidores e reduziram presença na linha de frente.

Jovens das comunidades antes cooptados pelo tráfico passaram a ser recrutados pelos milicianos. 

Um emissário recolhe semanalmente os valores de extorsão, ainda hoje o principal carro-chefe dos grupos.

As milícias ganharam força no Rio no final dos anos 1990. Inicialmente, eram grupos de policiais moradores locais que, cansados de assaltos e tráfico de drogas em seus bairros, organizavam sua própria força à parte do estado. O domínio do território virou atividade lucrativa —com taxa de proteção contra crimes, venda de botijão de gás, sinal clandestino de TV a cabo e transporte alternativo. 

Os métodos nos últimos anos se diversificaram —elas cobram por quase todas as atividades que movimentam dinheiro na região. (Folha de São Paulo)

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