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Abuso sexual de menores em clubes choca Argentina


Sylvia Colombo 

BUENOS AIRES - Um par de chuteiras novas, uma recarga no cartão de transporte público (o Sube, similar ao Bilhete Único) e entre o equivalente a US$ 10 (R$ 34) ou US$ 40 (R$ 135). 

Era assim que se “compravam” favores sexuais de garotos menores de idade que jogavam nas categorias de base do clube Independiente, um dos mais tradicionais da Argentina, segundo seus depoimentos à Justiça. 

O escândalo estourou quando um dos meninos contou ao psicólogo do clube o que estava ocorrendo. Logo, outros seis se somaram à denúncia. A causa já conta com quatro pessoas detidas, aguardando julgamento. 

Um deles é um árbitro, Martín Bustos, outros dois são representantes de jogadores, Leonardo Arazi e Alejandro Carlos Dal Cin, e há também um organizador de torneios infantis, Juan Manuel Díaz Vallone. Segundo a promotora que investiga o caso, María Soledad Garibaldi, ainda não está esclarecido como os menores eram recrutados dentro do clube, mas sim que, segundo seus relatos, estes eram levados a apartamentos alugados onde ocorriam os abusos sexuais. “A quantia que obtinham estava relacionada aos atos que aceitavam praticar”, disse Garibaldi. 

A promotora acrescenta que os menores afetados eram em sua maioria de famílias muito humildes e que vivem longe de seus pais. 

“Qualquer um que já tivesse agente, ou um maior responsável por perto, era descartado como potencial vítima”, acrescentou. 

RIVER PLATE 

Após o escândalo do Independiente, uma médica que trabalhou no River Plate entre 2004 e 2011 denunciou que o mesmo ocorria num dos maiores clubes do país. 

À polícia, ela disse que contou a diretores do clube que menores que viviam na Casa River - hospedaria do clube que fica ao lado do estádio Monumental de Núñez, para os jovens das categorias de base que vêm de outras províncias - reclamavam de abusos a ela e a outro profissional do corpo médico. 

Seriam dois garotos menores de 14 anos, do futebol, e uma menina, da mesma idade, membro do time de vôlei. 

Um dos garotos, conta a médica, apareceu em seu consultório com fortes dores. Ao ser questionado, ele revelou estar com medo de ter contraído Aids porque havia sido estuprado. 

Na época, ela buscou a direção do clube e conta que foi orientada pelos dirigentes a “manter-se fora do assunto”. Um tempo depois, quando voltou de uma licença-maternidade, foi demitida. Assim como o outro profissional. 

Com o escândalo estampando os jornais e os noticiários televisivos na Argentina, onde o futebol é o esporte mais popular de todos, tanto o Independiente como o River dizem que irão colaborar com a Justiça. 

Nenhum de seus representantes está dando declarações à imprensa, mas ambos os clubes divulgaram comunicados se dizendo dispostos a cooperar nas investigações. 

Há, porém, uma diferença de comportamento. O Independiente, assim que ouviu a denúncia por parte dos menores, acionou a Justiça, e as pessoas que estão presas respondendo a processo são todas as que estavam vinculadas aos supostos delitos relacionados a este clube. 

Já o River Plate, que acumula denúncias internas desde 2004, apenas agora se disponibilizou a dar informações e a responder judicialmente sobre o caso. 

Na última terça-feira (3), a polícia fez uma busca na Casa River e em dependências da direção do clube. (Folha de São Paulo)

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