sexta-feira, 6 de janeiro de 2017 | h

Polícia apura se homem que matou família na BA é pai de bebê da enteada


Gilson foi preso por incendiar casa e matar cinco pessoas da família na Bahia (Foto: Alan Tiago Alves / G1)

A Polícia Civil investiga se o homem preso por matar a própria família depois de incendiar a própria casa em Feira de Santana, a 100 quilômetros de Salvador, é pai do bebê de uma das vítimas da chacina que era enteada dele. A informação foi divulgada durante apresentação do suspeito nesta sexta-feira (6), na sede da Polícia Civil, na Piedade, centro de Salvador. O suspeito, que estava com mandado de prisão preventiva em aberto, foi localizado na manhã desta sexta na mesma cidade em que o crime ocorreu.
De acordo com o delegado João Uzzum, titular da 1ª Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Coorpin/Feira de Santana), testemunhas ouvidas pela polícia, entre familiares e vizinhos das vítimas, disseram que o suspeito, Gilson Jesus Moura, de 49 anos, é o pai da criança que a enteada de 16 anos esperava. Ela estava no quinto mês de gravidez e morreu carbonizada. O suspeito nega que seja pai da criança. A polícia, no entanto, pediu um exame de DNA pra comprovar a suspeita e aguarda o resultado.
"Isso ainda é uma suspeita muito inicial, não podemos afirmar. Mas o que sabemos é que ele teve uma discussão com a sobrinha antes de cometer os crimes e, segundo relato de testemunhas, essa briga teria sido motivada pelo fato de ele não aceitar o bebê dela", declarou o delegado.
A enteada do suspeito, o bebê que ela esperava, o filho dela, de um ano, e três filhos do suspeito, de 8, 9 e 13 anos, morreram na tragédia. A mulher dele, de 37 anos, que também é irmã de Gilson, e uma criança de 3 anos, filha do casal, conseguiram escapar da casa incendiada e seguem internadas no Hospital Geral do Estado (HGE). Segundo a polícia, o estado delas é considerado grave. O casal estava junto há 15 anos e, segundo a polícia, tinham brigas constantes por causa dos ciúmes dele.
Durante a apresentação o suspeito se disse arrependido pelos crimes, mas negou ser pai do filho da enteada. Segundo a policia, no primeiro depoimento, logo após ser preso, ele disse que não sabia quem era o pai. Na apresentação, ele negou que tenha brigado com a enteada antes da chacina. "Eu tinha uma boa relação com minha família. Minha família era tudo para mim. Não houve nenhuma briga e eu, sinceramente, não tive motivos para fazer isso tudo. Mas estou arrependido. Aliás, arrependido é pouco. Minha família era a base de tudo. Não tenho palavras para descrever esse ato. Não discuti com ninguém e também não tinha ciúmes da minha mulher", disse.
Crime premeditado




Após ser preso, Gilson relatou que pode ter tido um surto e que, por isso, incendiou a casa. A polícia, no entanto, acredita que o crime tenha sido premeditado. Segundo o delegado Uzzum, o suspeito sempre teve muito ciúmes da mulher e o casal tinha brigas frequentes. Há dez anos, conforme Uzzum, o homem deu duas facadas na mulher depois de uma briga por ciúmes e quebrou as coisas da casa.
"Antes do crime eles haviam brigado na noite de réveillon porque ela tinha bebido e estava dançando numa festa e ele não gostou. Esse ciúmes dela acabou resvalando em toda a família. Além disso, ele comprou a gasolina um dia antes do crime e, segundo testemunhas, já tinha dito para algumas pessoas que iria matar a família. Então, as provas contra ele são muito contundentes e não temos dúvida de que ele premeditou tudo", afirmou.
Gilson, no entanto, negou qualquer desavença com a família e insistiu que não teve motivos para matar a família. Na apresentação, ele disse à imprensa que comprou o galão com cinco litros de gasolina para colocar na moto da mulher. "A gasolina eu peguei para colocar na moto. Não sei o que me levou a fazer isso. Tenho conciência da tragédia que causei. Estar triste agora e arrependoido é pouco. Agora, tenho que pagar pelo meu erro, mas nao tem como corrigir", declarou.
De acordo com a polícia, após cometer o crime, Gilson fugiu para a cidade baiana de Capim Grosso de carro. Depois, deixou o carro na cidade, e foi para Jacobina, no norte do estado. Ele também passou pela cidade de Irecê, no centro-norte, antes de retornar para Campim Grosso e Feira de Santana. Conforme a polícia, ele teria voltado à cidade da chacina para vender o carro e, com o dinheiro, fugir para outra cidade. O suspeito disse, no entanto, que voltou para se entregar. "Eu vi a reportagem sobre o crime passado na televisão quando estava em Jacobina e decidi voltar para me entregar. Não ia fugir", disse.
O delegado João Uzzum informou que o suspeito, que não tem nenhuma passagem pela polícia, vai para o presídio de Feira de Santana e responderá por cinco homicídios consumados, duas tentativas de homicídios e um aborto -- pois uma vítima estava grávida.
Identificação dos corpos
Os corpos das cinco vítimas da chacina permanecem no Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Feira de Santana. Segundo o coordenador regional da polícia técnica da cidade, Celso Danilo fonseca, até esta sexta-feira, nenhuma das vítimas havia sido identificada por conta do estado em que os corpos foram encontrados. "Os corpos foram completamente carbonizados a um nível extremo. Não foi possível nem recolher digitais. Já foram realizados exames nas arcadas dentárias e ontem as famílias apresentaram documentos pessois das vítimas, como fotos de rosto. É preciso fazer o cruzamento dessas informações. Mas caso não consigamos identificar com o que temos até agora, vamos recorrer ao DNA", disse. Não há previsão para liberação dos corpos.
Ainda de acordo com Fonseca , não há sinais de que as vítimas tenham sido agredidas . "O que temos certeza é que morreram em decorrência do fogo. Não houve agressão anterior. Todos os corpos apresentaram fuligens nas traqueias, o que indica que foram queimados vivos", destacou.
Confissão
O homem que incendiou a própria casa e matou três filhos, uma enteada e o filho dela, de 1 ano, no município de Feira de Santana, foi preso na manhã desta sexta-feira e assumiu o crime. No entanto, ele declarou que não houve motivo para cometer a chacina. "Eu não tinha motivo nenhum para fazer isso porque eu estava super bem com minha família, meus filhos me adoravam. Eu era o tempo todo com minha filha menor no colo, abraçando meus filhos o tempo inteiro", disse Gilson Jesus Moura.
Ele foi preso em Feira de Santana quando tentava pegar um transporte alternativo para outra cidade, mas foi reconhecido por populares. Gilson contou que vivia bem com sua mulher e atribuiu a tragédia a um susposto surto, causado por um medicamento que ele alega ter usado. "Ela trabalhava na fábrica de segunda a sexta, final de semana ela ficava me ajudando lá no comércio, ficava acordada até duas, três horas da manhã para me ajudar. Sinceramente, só pode ter sido um surto provocado pelo medicamento que eu tomava e, de repente, eu parei de tomar porque o medicamento acabou. Eu tinha comprado o combustível para colocar na moto da minha esposa", afirmou .

"A criança falava 'socorro tia, não me deixa morrer, cadê a minha mãe?'. E a mãe dizia: 'salve meus filhos, por favor, salve meus filhos'", contou Edilene de Jesus, vizinha da família que ajudou no socorro às vítimas.
Drama
Um dia depois da tragédia, que ocorreu na quarta-feira (4), vizinhos que ajudaram a socorrer as vítimas de dentro da casa incendiada lembraram o desespero da mãe e da criança de 3 anos que foram as únicas sobreviventes.
A mulher de Gilson, Cristina de Jesus Moura, de 37 anos, prestou depoimento à polícia no hospital e confirmou que o marido foi o responsável por colocar fogo na casa onde a família dormia. A polícia confirmou ainda que os dois viviam uma relação incestuosa, já que eram irmãos por parte de mãe.
"Ela confirmou que realmente foi ele que tocou fogo em toda família. Ela foi acordada e ele estava com um galão de gasolina, jogando sobre o corpo dela, e falando que iria tocar fogo em toda a família", conta o delegado Gustavo Coutinho, responsável pela investigação.

Uma testemunha informou para polícia que o Gilson havia se desentendido com Cristina, por ciúme, durante a festa de réveillon. O galão utilizado no crime foi apreendido e encaminhado para perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT).

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