domingo, 23 de outubro de 2016 | h

PM faz cordão e divide atos contra o feminicídio e a favor da prisão de Lula



Marcados para o mesmo horário na Avenida Paulista neste domingo (24), dois protestos se encontraram e se dividiram em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand. Policiais militares precisaram fazer cordão para dividir os dois atos.

De um lado, um grupo de mulheres contra o feminicídio. Do outro, grupo que pede a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e o ex-senador José Sarney (PMDB).

As mulheres protestam contra a morte da jovem argentina Lucia Péres, 16 anos, estuprada e assassinada no país vizinho. Nomeado de “Ni una menos [Nenhuma a menos]”, as manifestantes gritam dizendo que o machismo mata e o feminismo liberta.
As mulheres são mortas por serem mulheres"
Maria das Neves, coordenadora da União da Juventude Socialista Feminista

Inicialmente, os manifestantes estavam separados pelo canteiro central e a ciclovia que dividem a via nos dois sentidos. As acusações eram só verbais: "Lula na cadeia, apoio ao Moro" e do outro lado, "machistas, fascistas, não passarão".

Depois, por volta das 16h, um jovem e um idoso vestidos com camisas verde e amarela adentraram à pista oposta e foram provocar as feministas aos gritos de: “Vai para Cuba!” Elas respondiam dizendo que o machismo mata.

Mais verde-amarelos entraram na pista sentido Consolação e a provocação continuou. Houve até quem pedisse para que as mulheres depilassem as axilas.

No sentido Paraíso, o grupo que se diz de direita faz declarações afetuosas ao juiz Sérgio Moro, do Paraná, e a Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro. Gritos de apoio à Polícia Militar também foram proferidos. Já o grupo liderado pelos movimentos feministas, pede a saída de Michel Temer (PMDB) e o fim da Polícia Militar, além de ser contrário à PEC 241, que cortará investimentos públicos pelos próximos anos.

Quando o ato das mulheres saiu em caminhada, pouco antes das 17h, as manifestantes fizeram um jogral: "Lúcia Perez, presente!" Depois, "nenhuma a menos!" "Nem recatada, e nem do lar, a mulherada está na rua para lutar". "Se cuida seu machista, a América latina vai ser toda feminista", completam.



"Vamos debater sobre o que é o feminicídio. As mulheres são mortas por serem mulheres. Ato é em solidariedade à Lúcia Perez, e a todas as mulheres vítimas da violência", diz Maria das Neves coordenadora da UJS (União da Juventude Socialista) Feminista.

"O machismo no Brasil é institucionalizado." Ela defende que a PEC 241 irá ceifar ainda mais os investimentos em políticas públicas para combater a violência contra a mulher, impedir que o debate sobre a cultura do estupro, o machismo e as questões de gênero sejam feitos dentro da escola. O ato também é organizado pelo Coletivo Ártemis, e União Brasileira de Mulheres.

Maria disse que as manifestantes foram xingadas de "prostitutas comunistas" e "vagabundas" pelos direitistas.

O ato teria uma oficina de cartazes e um debate sobre o feminicídio com a advogada, mas por conta das provocações, acabou sendo alterado. Vai acontecer ao fim do protesto. Às 17h, o protesto desceu a Rua Augusta sentido Centro e às 17h40, chegou à Praça Roosevelt. Após aula sobre o feminicídio do ponto de vista do Direito, o protesto terminou por volta das 18h.

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