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Bebês correm risco de morrer à espera de cirurgias cardíacas

                                Bebê aguarda por cirurgia que não é feita no Tocantins (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Sete bebês internados na UTI do Hospital Dona Regina, em Palmas, correm risco de morrer por causa da demora na realização de cirurgias cardíacas. Eles precisam ser transferidos para outros estados porque os hospitais públicos do Tocantins não fazem o procedimento. 
Um deles é Ítalo. Desde que nasceu, ele precisa fazer uma cirurgia. Um mês já se passou e até agora o procedimento não foi feito. "Com cinco dias de vida, já era para ele ser transferido. Se o Estado estivesse realmente se preocupando já teria mandado e  eu já estaria com meu filho em casa", lamentou a dona de casa Solange Conceição.
A Alice tem dois meses e nasceu com malformação no coração. Ela está sobrevivendo com a ajuda de aparelhos. A Justiça determinou que o governo faça a cirurgia imediatamente, mas a decisão não foi cumprida.
"A gente achava que chegando até o juiz e saindo a decisão dele isso seria resolvido, mas isso não está acontecendo. Nós estamos querendo o direito de viver, direito garantido por lei", afirmou a recreadora Maria Moreira.
O Governo do Tocantins alega dificuldades para encontrar hospitais fora do estado que façam essas cirurgias. Para a Defensoria Pública, essa dificuldade não deveria ser a justificativa para a demora no procedimento. É porque, conforme o órgão, o estado deveria ter unidades de referência fora do estado, prontas para receber esses pacientes.
"No ofício do secretário, onde ele menciona que a CNRAC [Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade] está providenciando não procede. O Estado deve já ter a sua referência previamente regulamentada", explicou o defensor Arthur Pádua.
A defensoria quer que o governo compre materiais para fazer as cirurgias no Tocantins para diminuir os custos e reduzir os riscos para os bebês.
"Aqui se consegue fazer essa cirurgia. Existem profissionais, o que falta é investimento, ou seja, nós estamos bloqueando e gastando R$ 600 mil, R$ 300 mil para um paciente quando na verdade, com esse dinheiro conseguiríamos operar talvez todos os pacientes, fora o risco de óbito", disse o defensor.
A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que o Estado não tem médicos cardiologistas suficientes para fazer as cirurgias no Tocantins. Disse também que conseguiu uma vaga para o bebê Ítalo no Hospital da Criança de Goiânia e a transferência está marcada para a próxima terça-feira (9). Sobre a Alice e os outros cinco bebês, a secretaria informou que está à procura de vagas na rede pública e privada de outros estados.

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