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Assaltantes agiram com truculência e obrigaram até mulheres a levantar blusa


       

Assaltante do ônibus que fazia a linha Terminal da França/Vilas do Atlântico teria agido com truculência, dando tapa na cara de passageiros e exigindo que todos levantassem a camisa para mostrar se não estavam escondendo nada, inclusive as mulheres.
As informações são de quatro passageiros que prestaram depoimento na manhã desta terça-feira (01) no Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (Gercc), além da cobradora e do motorista do ônibus assaltado nas imediações do Shopping Paralela. "Eles disseram que quem tivesse escondendo alguma coisa ia levar tiro na testa", conta uma garçonete, que estava no ônibus a caminho do trabalho. Mesmo com a ameaça, ela conseguiu esconder o celular, mas teve que dar R$ 150 aos bandidos.
Já o motorista, que também preferiu não se identificar, lembrou que assim que entrou no ônibus, o assaltante Murilo dos Santos Marques, 21 anos,  agrediu um passageiro que estava em pé. "Todo mundo ficou sem entender nada, achando que os dois eram amigos. Foram três tapas fortes, quem tivesse fora do ônibus ia conseguir ouvir", diz o motorista.
O promotor de vendas Osvaldo José dos Santos, 33 anos, por pouco não foi alvo da ira do assaltante. Ele conta que ao ser abordado ameaçou não entregar os pertences e o assaltante disse que se ele não passasse as coisas atiraria em duas crianças que estavam na cadeira da frente. Osvaldo entregou o celular da empresa onde trabalha e R$ 180, que ia usar para pagar dívidas.

De acordo com a cobradora, o bandido se referia a duas irmãs que pegam todos os dias aquela linha para irem ao colégio, em Vilas do Atlântico. "A mãe coloca elas no ônibus e elas só descem na porta da escola. Elas ficaram muito abaladas, a mais nova chorava bastante", relatou.
Na hora do assalto, o ônibus não estava lotado, mas tinha cerca de 80 passageiros. Era Murilo que ia recolhendo os pertences e entregando ao comparsa, que os colocava em uma mochila. A dupla já havia estava no meio do ônibus quando um dos passageiros percebeu que Murilo apenas simulava que tinha uma arma embaixo da camisa e alertou às demais vítimas.
"Foram mais de dez pessoas para cima dele, dando socos e chutes em várias partes do corpo", comentou Osvaldo. A cobradora do ônibus diz que se ela e o motorista não intervissem a situação poderia ter sido ainda pior. "Foi tudo muito rápido, eu e o motorista não damos conta da aglomeração, mas a gente fez o possível e conseguiu evitar a morte dele", conta.

Ainda segundo a cobradora, um homem tentou acertar a cabeça de Murilo com uma pedra e ela teve que entrar no meio para impedir. Na altura do Shopping Paralela, os passageiros mandaram o motorista parar o ônibus. Eles pretendiam arrastar Murilo para fora do veículo, mas ele correu para tentar fugir pela janela do motorista.
Murilo ficou preso entre o grupo de passageiros e a cadeira do motorista, que continuaram a acertá-lo com socos e chutes. Um dos passageiros chegou a desferir dois golpes contra o assaltante com uma garrafa de cerveja quebrada. Outro atirou o extintor de incêndio contra a perna dele. "Só pararam de bater porque a polícia chegou", disse a cobradora.
Em meio a confusão, o comparsa conseguiu fugir levando os pertences dos passageiros assaltados. O dinheiro do caixa foi preservado. Os bandidos entraram no ponto que fica na frente do supermercado Extra, na Paralela, e anunciaram o assalto entre a Ferreira Costa e o Shopping Paralela. De acordo com a polícia, a mesma dupla já tinha assaltado outro ônibus nesta terça-feira (1).
Murilo foi encaminhado ao Gercc por uma guarnição da 82ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/CAB e Paralela) e levado para fazer exame de corpo delito e identificação criminal no Departamento de Polícia Técnica (DPT). Ele contou a polícia que é vizinho do comparsa e que os dois moram na Rua J, em Castelo Branco. A polícia não soube informar se o assaltante tem passagem.
Segundo informações do Gerrc, as avenidas Paralela, Suburbana e Bonocô são os principais alvos de roubos a coletivos em Salvador. O motivo seria a grande circulação de ônibus e a facilidade para fugir, uma vez que essas vias têm muitas saídas para diferentes partes da cidade. 

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