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Médicos dizem que restringir aborto em caso de estupro é 'assustador'



Para especialistas, se aprovado o projeto de lei que endurece as regras contra o aborto no Brasil, mais mulheres podem recorrer ao aborto inseguro, mesmo nos casos previstos na legislação, como estupro. O presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Cristião Rosas, classificou como "assustador" e "incompreensível" o projeto. 

— Estamos na contramão. Enquanto outros governos flexibilizam a prática, assistimos ao retrocesso.
A proposta, do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi aprovada anteontem na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
Ela condiciona a permissão da interrupção da gravidez à comprovação de um exame de corpo de delito e comunicado à polícia. "É o mesmo que condicionar o atendimento de um paciente baleado ao registro do crime numa delegacia."

Gabriela Ferraz, do Cladem (Comitê para a Defesa dos Direitos das Mulheres), disse que "a mulher será vítima de dois agressores, o estuprador e o Estado, que em vez de ampará-la vai duvidar e desrespeitar sua vontade sobre o momento em que quer denunciar".
Os especialistas criticam as penas para quem induz a gestante a praticar o aborto ou anunciar meios abortivos.

Debora Diniz, do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, disse que os profissionais da saúde serão impedidos de atuar como redutores de danos nos casos em que sabem que não vão impedir o aborto. (R7)

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