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Dilma acusa oposição de buscar "golpismo escancarado" e espalhar ódio



A presidente Dilma Rousseff acusou nesta terça-feira (13) a oposição de buscar um golpe contra seu governo e pediu união à população para combater a "intriga política", em um dos discursos mais enfáticos em defesa de seu mandato e contra as tentativas de tirá-la do cargo.
Em discurso contra o que chamou de "golpismo escancarado", em evento da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em São Paulo, Dilma afirmou que opositores espalham ódio e intolerância e buscam acabar com seu mandato sem fato jurídico ou materialidade.
— [Há] busca incessante da oposição de encurtar seu caminho ao poder. Quer dar um salto, fazendo um golpe... O artificialismo dos argumentos é absoluto. A vontade de produzir um golpe contra o funcionamento regular das leis e das instituições é explícita. Jogam sem nenhum pudor, do quanto pior, melhor.
A presidente disse que a tentativa da oposição de tirá-la do poder não é contra ela, mas contra o que ela representa.
— Esse processo não é apenas contra mim. É contra o projeto que fez do Brasil um país que superou a miséria. É contra o que eu represento, e eu represento as conquistas históricas do governo Lula.
Além de lideranças sindicais e do PT, estavam na plateia os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e José Mujica, do Uruguai. Várias vezes Dilma foi interrompida por gritos da plateia de "não vai ter golpe".
Dilma enfrenta uma grave crise política e vários pedidos de impeachment, que até o momento têm sido rejeitados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele próprio está sendo acusado de ter se beneficiado do esquema de corrupção na Petrobras. Nesta terça-feira, as bancadas do PSOL e da Rede apresentaram pedido de cassação do mandato de Cunha ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
— Pergunto com toda franqueza: quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra? Quem?.
Dilma prometeu lutar para defender o seu mandato, a democracia e o projeto de inclusão social. A presidente disse ainda que o País "precisa de estabilidade política" para superar as dificuldades econômicas e pediu união para evitar um "retrocesso" na democracia brasileira.
— Para impedir o retrocesso, conto com as forças democráticas do Congresso, conto com a serenidade dos nossos tribunais, conto com o povo brasileiro e os movimentos sociais.
Neste mês, o TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou ao Congresso a rejeição das contas do governo do ano passado devido às chamadas pedaladas fiscais, o que reforçou os argumentos para um eventual processo de impeachment.
Na próxima sexta-feira (16), a oposição apresentará novo pedido de impeachment, com base na formulação já feita pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., e com indicações de que as operações conhecidas como pedaladas fiscais continuaram em 2015.
— O que chamam de pedaladas ficais são atos administrativos que foram usados por todos os governos antes do meu. Quero deixar claro que nós não tivemos nesses atos nenhum interesse a não ser realizar nossas políticas sociais.
Dilma defendeu que o Congresso tome uma decisão equilibrada ao analisar o parecer do TCU, com calma, transparência e amplo direito de defesa.
Nesta terça-feira, o governo ganhou mais tempo para evitar a abertura de um processo de impeachment, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de barrar temporariamente o rito desenhado Cunha para a tramitação de um eventual processo de impedimento.

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